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Entrevistador:
Você já teve receio de que havia nascido apenas para fazer Harry Potter e não outros papéis dramáticos?
Daniel Radcliffe: Sim. Este medo esteve presente o tempo todo. No entanto, era mais na linha de pensar se eu estava fazendo o correto para mim, se eu era bom o suficiente para a profissão.
E: Quando crianças e adultos agora leem Harry Potter, sua imagem é a que vem à mente. Como é essa sensação?
DR: É algo estranho. E também tão bonito. Mas acho que não vai durar para sempre…
E: Como assim?
DR: Aposto com você como em uns 30 anos Hollywood vai fazer refilmagens dos longas (risos)! No futuro, vejo um outro menino na pele de Harry e as pessoas apontando para mim na rua: “Aquele senhor ali é o Harry Potter original!” O que é muito mais cool (gargalhadas)! Mas e o Brasil, hein?
E: O que tem o Brasil?
DR: Vários amigos meus estão indo a seu país e fico só no desejo. Todo mundo adora. Dizem que é maravilhoso e um pouco louco. Penso no futebol, no Carnaval, nas praias, em Ipanema e naquele… ah, não, melhor não falar.
E: O quê?
DR: É que a imagem mais forte que me vem do Brasil é a daquele episódio de Os Simpsons em que eles fazem graça com o país, com cobras e macacos nas ruas do Rio. Foi um escândalo na época, não? Mas eu acho que a brincadeira é saudável, vi como um ato de amor ao Rio e ao Brasil, e me fez querer conhecer a cidade um dia. Veja bem, sou britânico, então, para mim, nada é sagrado. Pense em Tony Blair como representante do povo inglês. Isso é que é ofensivo. Também há o futebol para reverter a piada.
E: Como assim?
DR: Temos na Inglaterra esta empáfia de dizer que somos os criadores do futebol. Mas vocês se apropriaram do esporte com inteligência e arte, como ninguém antes. O futebol, hoje, é mais brasileiro do que britânico. Somos patéticos, criamos o futebol para o Brasil nos destruir.

Os invejosos dirão que é photoshop



